Agosto 22, 2008...1:44 am

Top neurose

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Quem lê blogs volta e meia dá de cara com listinhas de melhores. Revistas de música e cinema sempre fizeram coletâneas dos maiores clássicos de todos os tempos, ou pelo menos de melhores do ano. Adoro ler essas breves compilações do que de mais fino foi produzido pela humanidade, mas minhas mãos suam só em pensar em escrever uma.

Já descobri bandas legais em listas de fim de ano. Também gosto de saber quais livros marcaram as vidas de meus amigos. Mesmo assim, toda vez que parei para escrever um desses “tops” fiquei com a impressão de que assim que os publicasse mudaria de opinião. E consertar top 10 não faz o menor sentido.

Me parece ainda que quem ler minhas listas achará que conhece bem o meu gosto, gente que talvez nunca tenha conversado direito comigo. Eu mesma tiro conclusões sobre as pessoas ao ler suas seleções. Além disso, as listas fazem parte da cultura pop há tempos. É um formato consolidado demais para eu arriscar meus palpites e me arrepender em seguida. Já algumas listas parecem mais um fetiche “cult” do que uma verdadeira reflexão. Um espécie de síndrome de “Alta fidelidade”. Necessidade de regurgitar para todo mundo o que viu, ouviu ou leu. Isso definitivamente não me interessa.

Teria coragem de fazer uma seleções de piores. Falar mal é sempre mais fácil e menos comprometedor, mas não acho justo nem coerente escolher os fracassos e não apontar os acertos. A comparação aqui é fundamental para entender o que funciona e o que não funciona. Quem sabe quando eu tiver 90 anos, se eu viver até lá, terei convicção absoluta do que foi o melhor que passou na minha vida.

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