Já ouvi algumas pessoas dizerem a Barra da Tijuca é a Miami brasileira. Pelos prédios mais baixos do que os da Zona Sul, os condomínios, e principalmente a aura consumista, com shoppings por todos os lados. Se a comparação faz algum sentido, posso dizer que ultimamente tenho me sentido mais em um episódio de Miami Vice à brasileira do que em um clima de sol e compras.
Primeiro a engenheira Patrícia Franco atravessou o Túnel do Joá, entrou na Barra, teve o carro alvejado a balas, caiu no canal de Marapendi e desapareceu. A moça, de 24 anos, voltava de um show no Circo Voador e pof: tiros, acidente, sumiço. Há a suspeita de que a polícia, que patrulha diariamente o local do crime, tenha culpa na história. O laudo pericial dos fragmentos de balas encontrados no carro de Patrícia foi inconclusivo. Agora é impossível olhar a placa “Sorria, você está na Barra” e não lembrar do caso. Vejo essa placa todos os dias. Tomara que seja assim com todo mundo, já que Patrícia está desaparecida desde 14 de junho e as investigações não resultaram em nada.
Ainda mais mal explicada é a história da chinesa Ye Guoe, seqüestrada no dia 17 de julho quando saia do shopping Downtown. Ela teria acabado de trocar R$ 130 mil dólares em uma agência de turismo. O marido de Ye Guoe deu a versão de que ela carregaria o dinheiro. Depois desmentiu tudo, dizendo que a esposa era apenas uma vendedora ambulante e não possuiria tal quantia. A agência de viagens diz que não trocou o dinheiro, pois não tem permissão para fazer serviço de câmbio. Segundo os jornais uma placa na entrada da loja diz na prática não é bem assim. Para tornar tudo ainda mais esquisito, os seqüestradores estavam em um carro polícia civil, testemunhou um taxista. Miami Vice dirigido por David Lynch (no espírito da visita dele ao Brasil) e protagonizado pelo Wagner Moura.
O Rio de Janeiro é uma cidade violenta, acontecem assassinatos e seqüestros e todos os dias, mas foi a peculiaridade dos acontecimentos que me levou à comparação infame do primeiro parágrafo. Não sou hipócrita, é claro que impressiona mais ainda por serem lugares pelos quais passo diariamente. E eu sou a rainha de ficar imaginando as coisas que aconteceram pelos cantos que passo. Medinho.
